Em algum momento entre o primeiro PC chegando à mesa e o primeiro disquete sendo duplicado, alguém decidiu que não queria pagar pelo software. A matemática era simples. O resultado foi inevitável.
De acordo com a Business Software Alliance (BSA), o software pirata representa 41% de todos os programas em PCs em todo o mundo. Isso é quase metade de tudo que roda em computadores pessoais. A BSA afirma que isso custa bilhões às empresas de software em receitas perdidas. Os céticos reviram os olhos, apontando que a indústria de software financia diretamente a BSA. Seus motivos? Suspeito. Mas quer você acredite ou não no valor de 41%, a indústria trata a pirataria como uma ameaça existencial.
Esse medo gerou uma corrida armamentista de décadas entre desenvolvedores e piratas. Tudo começou antes da internet. Antes do Wi-Fi. Antes que alguém soubesse o que era uma URL.
Táticas antecipadas de proteção contra cópia
No início, a proteção contra cópia de software era rudimentar. Não se tratava de segurança no sentido moderno. Era uma questão de atrito.
Os desenvolvedores inseririam linhas de código projetadas para dificultar a cópia de dados de uma mídia para outra. Às vezes funcionou. Principalmente, isso não aconteceu.
Depois havia as barreiras físicas. Muitos jogos de computador são fornecidos com manuais. Você tinha que procurar páginas específicas. Você teve que inserir códigos da caixa. Foi um aborrecimento, claro. Mas isso atrasou os piratas. Isso os forçou a se envolver com o produto.
A armadilha DRM
A internet mudou o jogo. Os sistemas de gerenciamento de direitos digitais (DRM) entraram no chat.
Algumas soluções DRM estão vinculadas a um servidor remoto. Seu software faz check-in. Ele verifica sua licença. Ele acena e permite que você jogue.
Aqui está o problema. Se esse servidor cair, o software morre.
Se a empresa falir. Se eles encerrarem o suporte. Se decidirem monetizar o acesso de forma diferente. Você fica com um código inútil em seu disco rígido. Você comprou. Você não possui nada.
A resistência do consumidor
Nem todo DRM é tão severo. Mas todo DRM restringe você.
Estamos acostumados a possuir nossas coisas. Se você comprar um livro físico nos Estados Unidos, poderá vendê-lo. Você pode emprestar. Você pode queimá-lo. Esta é a doutrina da primeira venda. É a lei de direitos autorais. É um direito.
O DRM elimina isso. Isso torna a venda de software usado quase impossível. E, diferentemente de um romance, os arquivos digitais são fáceis de copiar. Um clique. Sem degradação. Sem desgaste.
Por que aceitamos isso?
A Economia do Valor
A solução é apenas um software mais barato?
Se um jogo custa cinco dólares em vez de sessenta. Se um pacote de produtividade for gratuito para alunos. A pirataria cairia? As pessoas ainda se dariam ao trabalho de quebrar algo pelo qual já pagaram com um grande desconto?
É uma questão antiga. Permanece sem resposta. A barreira de custo é alta. O atrito da pirataria é baixo. O meio-termo é evasivo.
Cortando o preço. Parece a solução óbvia. Se o software fosse mais barato, diz a lógica, as pessoas simplesmente o comprariam. A teoria é simples: margens mais baixas, volume mais alto. Os fornecedores compensam a diferença nos números de vendas. Mas a realidade é mais confusa. Não existe uma razão única e globalmente aceita para que as pessoas roubem software.
Não é apenas economia. É psicologia. É sociologia. É uma teia emaranhada de motivações.
Vamos começar com o dinheiro. Sim, o custo é importante para alguns. Se o preço exceder o que o usuário está disposto a pagar, ele poderá pirateá-lo. A justificativa geralmente é simples: o fornecedor é uma empresa inchada. Eles ganham bilhões. Uma licença perdida não prejudicará seus resultados financeiros. Roubar deles parece sem vítimas.
Há também a equação do valor. Um usuário pode considerar um programa caro. Eles ainda querem a ferramenta. Eles simplesmente se recusam a pagar o preço pedido. Para eles, a culpa é da empresa por definir o preço muito alto. Mas aqui está a questão: pagariam se o preço caísse para um nível “razoável”?
A pesquisa sugere uma dura verdade. Muitos piratas roubam independentemente do custo. O preço é apenas uma desculpa conveniente. É uma racionalização. Não é o motorista. Estudos mostram que as pessoas tratam os bens digitais de maneira diferente dos físicos. O software não tem o peso tangível de um carro ou de uma TV. Atribuímos-lhe menos valor. Copiar um arquivo é diferente de copiar um objeto físico. Não aciona os mesmos alarmes éticos que o roubo de automóveis.
Distâncias culturais e sociais
O problema é mais profundo do que carteiras. Os costumes sociais desempenham um papel enorme. Economistas como C. A. Depken II e L. C. Simmons apontam para o distanciamento social. Se uma cultura se sente desligada das figuras de autoridade, a pirataria torna-se mais provável.
Isto ajuda a explicar as taxas elevadas em determinadas regiões. Veja a China. A distância entre o indivíduo e qualquer figura de autoridade capaz de detê-los é grande. Essa distância facilita comportamentos que poderiam ser suprimidos em outros lugares.
A política também importa. A pirataria de software é um fenômeno global. A Business Software Alliance (BSA) observa que os Estados Unidos têm uma taxa de pirataria mais baixa. Os EUA também produzem grande parte do software mundial.
Em alguns países, os cidadãos sentem-se no direito. Eles vêem os EUA como uma potência rica e dominante. Roubar deles parece permissível. É quase uma forma de orgulho nacionalista. Se a cultura vê o poder dominante de forma negativa, tomar o seu produto parece um pequeno ato de rebelião. Bom para eles, ruim para a corporação.
A tela como filtro ético
Psicólogos da Universidade de Notre Dame oferecem outro ângulo. O próprio computador cria “distância psicológica”.
Pense na tela como um filtro ético. Você não está olhando a vítima nos olhos. Não há consequências imediatas visíveis. O dano parece abstrato. A probabilidade de ser pego parece baixa. O ato perde o efeito.
A internet amplifica isso. O acesso é instantâneo. O anonimato é fácil. Quando você pode pegar algo valioso por nada e quase sem risco, a responsabilidade desaparece. É fácil entender por que as pessoas fazem isso.
A barreira nem sempre é financeira. Muitas vezes é psicológico. Normalizamos o ato. Nós nos convencemos de que não faz mal a ninguém. A tela nos permite acreditar nisso. Até que a realidade alcance a conveniência.
A pirataria não é apenas uma falha moral. É um buraco negro económico. Paul Craig explora isso em Software Piracy Exposed. Ele cita piratas que afirmam que suas ações não prejudicam ninguém. Eles argumentam que não comprariam o software de qualquer maneira. Se roubarem ou ficarem sem, a empresa não perde nada.
Essa lógica parece sólida. Até você olhar mais de perto.
Alguns piratas não apenas copiam. Eles vendem. Eles reduziram os preços oficiais por margens enormes. Esses revendedores prejudicam diretamente os desenvolvedores de software. Você não pode provar se esses compradores teriam pago o preço total. Mas a perda de receita é real.
Baixar os preços pode ajudar. Isso poderia dissuadir alguns vendedores. Pode transformar alguns ladrões em compradores. Mas isso não vai impedir todos. Algumas pessoas querem apenas software de graça.
As empresas estão presas. A queda dos preços aumenta as vendas, mas não mata a pirataria. Construir confiança ajuda. Muitos piratas dizem que pagariam por marcas que respeitam. Você não pode respeitar um ladrão.
A questão é complexa. Nenhuma causa única. Nenhuma solução simples. Precisamos entender por que as pessoas pirateiam. Não se trata apenas de dinheiro. É uma questão de valor.
Se mudarmos a forma como vemos o valor do software, talvez as estatísticas mudem. Até então, os custos permanecem elevados.
A armadilha do malware
As empresas de software não são as únicas vítimas. Os usuários também.
Os hackers exploram a ganância. Eles carregam versões falsas de programas populares. Esses arquivos escondem malware. O downloader o instala. O malware assume o controle.
É uma lição dura. Aprendendo tarde demais.
Perguntas comuns sobre pirataria de software
A maioria das pessoas pirateia?
Não. A maioria dos usuários não pratica pirataria.
Você irá para a cadeia por pirataria de software?
É complicado. As leis variam de acordo com a região. Alguns enfrentam pena de prisão. Outros recebem multas. A punição depende da escala e do dano financeiro.
Onde aprender mais
Compreender a mecânica ajuda.
- Como funciona o BitTorrent
- Como funciona o gerenciamento de direitos digitais
- Como funciona o Pirate Bay
- 10 piores vírus de computador de todos os tempos
- Como funcionam os vírus de computador
- Como funcionam os hackers
- Como funcionam os cavalos de Tróia
- Direitos autorais
Recursos:
– Aliança de Software Empresarial
Fontes:
– Aliança de Software Empresarial. “Relatório Global sobre Pirataria 2008.” Maio de 2009.
– Aliança de Software Empresarial. “Relatório sobre Pirataria na Internet 2009.” Outubro de 2009.
-Craig, Paul et al. Pirataria de software exposta. Syngress Publishing, Inc.
– Crowell, Charles R. e outros. “Psicologia Moral e Ética da Informação.” Universidade de Notre Dame. 2003.
– Depken, CA, II e Simmons, LC “Construção social e propensão à pirataria de software.” Cartas de Economia Aplicada. 2004.
-Goldsborough, Reid. “Os piratas de software estão por toda parte.” Semana da Faculdade Comunitária. 5 de outubro de 2009.
– Hinduja, Sameer. “Desindividualização e pirataria de software na Internet.” CiberPsicologia e Comportamento. 4 de novembro de 2008.








































