O CEO da Nvidia, Jensen Huang, é indiscutivelmente o melhor vendedor do Vale do Silício. Talvez nunca. Ele tem aquele otimismo implacável, do tipo que Marc Benioff usa como uma medalha de honra, mas aqui está o que o torna perigoso: Jensen realmente entrega. Trimestre após trimestre, os números confirmam o entusiasmo. Então, quando ele afirma que há um novo mercado endereçável total (TAM) de US$ 200 bilhões** bem debaixo de nossos narizes, você não revira os olhos. Você faz anotações.
Ele lançou esta bomba na última teleconferência de resultados. A Nvidia acaba de registrar outro trimestre recorde, arrecadando US$ 81,6 bilhões e prevendo US$ 91 bilhões para o próximo período. Bom momento, certo? Huang apresentou a CPU Vera não como uma atualização, mas como uma mudança de paradigma. Ele chama isso de transformador. Os primeiros números de vendas dizem que o contrário não é o caso – eles são promissores.
“Vera abre um novo TAM de US$ 80 bilhões para a Nvidia… O mundo está reconstruindo a computação para IA agentic.”
Jensen Huang
Wall Street está nervosa, no entanto. Todo mundo quer saber o que vem a seguir. A Nvidia governa o mundo GPU, com certeza. Mas a CPU? Esse é o quintal da Intel e da AMD. Ou pelo menos costumava ser. Depois vieram os hiperescaladores. No mês passado, a Amazon Web Services fechou um grande acordo com a Meta para seus chips de IA desenvolvidos internamente. Andy Jassy foi alto e claro: a AWS pode construir chips pelo menos tão bons quanto os da Nvidia, talvez melhores. É uma ameaça real.
Então Vera apareceu.
Vendido sozinho. Fornecido com a GPU Rubin. Huang insiste que este não é apenas mais um processador. É a primeira CPU do mundo desenvolvida especificamente para IA de agência. Ele acredita que todos os grandes fabricantes de sistemas e hiperescaladores já estão fazendo fila para implantá-lo.
Aqui está a lógica, ou o que se passa por ela. Quando um modelo de IA está pensando, fazendo trabalho pesado, as GPUs estão gritando. Mas agentes? Eles rodam em CPUs. Eles fazem tarefas. Eles executam. Huang prevê que os agentes eventualmente terão seus próprios equivalentes de computadores pessoais controlados por CPU.
Vera lida com isso priorizando uma coisa: processar tokens o mais rápido possível. CPUs de nuvem padrão? Eles são projetados para núcleos. Para executar várias instâncias de aplicativos com eficiência. Vera não se importa com isso. Ele se preocupa com a velocidade. Fichas. Essa distinção parece lógica em uma apresentação de slides, mas o cenário está lotado. Tanto startups quanto gigantes estão investindo bilhões em seu próprio silício. Por que alguém confiaria na Nvidia para liderar esse novo ataque?
A resposta de Huang é simples.
O dinheiro fala. Ele diz que a Nvidia já vendeu US$ 20 bilhões em CPUs Vera independentes. E ainda é março.
“O mundo tem um bilhão de usuários humanos”, observou Huang, fazendo a comparação. “A minha sensação é que o mundo terá milhares de milhões de agentes. Teremos milhares de milhões de agentes a utilizar ferramentas, e essas ferramentas serão como os PCs que utilizamos hoje.”
Portanto, precisamos de mais CPUs. Não apenas qualquer CPU. Os certos. Huang parece certo de que Vera é esse chip. É difícil contestar o valor de 20 mil milhões de dólares, mas a questão permanece: ter mil milhões de agentes significa realmente comprar mil milhões de Vidas? Ou este é apenas o começo de um novo ciclo de hardware incrivelmente caro, onde as regras ainda não foram totalmente estabelecidas.
Só o tempo dirá se os agentes realmente vão querer ter seus próprios computadores. No momento, eles só querem que lhes digam que precisam de um.
