Vendas de smartphones devem cair 13% em 2026 em meio à escassez global de chips de memória

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As vendas globais de smartphones estão a caminho de um declínio dramático de 12,9% em 2026, de acordo com projeções recentes da International Data Corporation (IDC). Esta recessão é impulsionada por uma grave escassez de chips de memória, alimentada pela procura explosiva do sector da inteligência artificial (IA). A crise vai muito além de um aperto temporário na oferta – os analistas da IDC descrevem-na como um “choque semelhante a um tsunami” que se alastra pela indústria electrónica de consumo.

O cerne do problema: o apetite insaciável da IA

A causa raiz é simples: a produção de chips de memória não consegue acompanhar a demanda. A IA generativa, incluindo o rápido crescimento das unidades de processamento gráfico (GPUs) e hardware relacionado, conquistou o mercado. A Western Digital já esgotou todo o seu fornecimento de 2026 em fevereiro, sinalizando a gravidade do gargalo. Não se trata apenas de dispositivos de última geração; a escassez afeta todos os níveis de fabricação de smartphones.

Impacto nos fabricantes e mercados

O declínio não será uniforme. As marcas de smartphones de gama baixa, que operam com margens estreitas, são as mais vulneráveis. Elas aumentarão os preços (reduzindo a acessibilidade) ou absorverão os custos (reduzindo os lucros). Prevê-se que o Médio Oriente e a África, onde os smartphones baratos dominam o mercado, registem a queda mais acentuada – uns espantosos 20,6% em relação ao ano anterior.

Por outro lado, Apple e Samsung estão posicionadas para enfrentar a tempestade. A sua solidez financeira permite-lhes garantir o fornecimento e potencialmente ganhar quota de mercado à medida que os concorrentes mais pequenos enfrentam dificuldades. A crise poderá acelerar a consolidação da indústria, forçando a saída dos intervenientes mais fracos.

Aumento de preços e o fim dos telefones ultra-econômicos

Espera-se que o preço médio do smartphone aumente 14%, para US$ 523. Mais significativamente, a IDC prevê que o segmento de smartphones abaixo dos 100 dólares (aproximadamente 171 milhões de unidades) se tornará “permanentemente antieconómico”. Isso significa que os dispositivos ultrabaratos dos quais muitos consumidores confiam podem desaparecer completamente.

Cronograma de recuperação e mudanças duradouras

Espera-se que os preços da memória se estabilizem em meados de 2027, mas provavelmente permanecerão acima dos níveis anteriores à escassez. A indústria enfrenta uma nova normalidade: as restrições de oferta e os custos mais elevados deverão persistir no longo prazo. A análise da IDC sugere que a era das vendas de smartphones de baixo custo e grandes volumes acabou e nem os fornecedores nem os consumidores podem esperar um regresso às condições anteriores do mercado.

A situação atual demonstra o quanto todo o ecossistema tecnológico depende de um único componente crítico. O boom da IA ​​desencadeou inadvertidamente uma crise com consequências de longo alcance, remodelando o mercado de smartphones nos próximos anos.