Até John Bolton se opõe à atual política iraniana

15

Durante décadas, John Bolton tem sido a voz mais reconhecida a defender uma política agressiva dos EUA em relação ao Irão, incluindo a mudança de regime através de intervenção militar. A sua postura agressiva foi consistente ao longo das suas funções como Embaixador da ONU sob George W. Bush e Conselheiro de Segurança Nacional sob Donald Trump. No entanto, até mesmo Bolton critica agora duramente a abordagem da administração Trump à escalada das tensões com o Irão, argumentando que lhe falta profundidade estratégica e planeamento coerente.

Esta oposição inesperada levanta uma questão crítica: porque é que um dos principais defensores da acção militar americana contra o Irão denuncia agora o rumo actual? A resposta reside na avaliação de Bolton de que Trump não conseguiu lançar as bases para uma mudança significativa de regime, tanto a nível interno como internacional.

O caso para mudança de regime

Bolton afirma que o regime iraniano não abandonará as suas ambições nucleares nem o seu apoio a grupos terroristas. Ele acredita que a mudança de regime é a única solução viável, citando as fraquezas internas no Irão – instabilidade económica, insatisfação generalizada entre jovens e mulheres e tensões étnicas – como criando condições favoráveis ​​para a intervenção.

No entanto, ele argumenta que o fracasso de Trump em obter apoio público e no Congresso, em consultar aliados ou em coordenar com grupos de oposição iranianos minou qualquer possibilidade de sucesso. Bolton sublinha que a mudança de regime requer uma estratégia bem definida e não apenas uma acção militar.

“Se você pretende perseguir o objetivo da mudança de regime, você tem que saber no que está se metendo e estar decidido a trabalhar para alcançá-lo. E se você não acha que pode alcançá-lo, então não comece.”

O fracasso da preparação

Bolton afirma que Trump nunca preparou adequadamente o público americano ou o Congresso para as potenciais consequências da acção militar. Ele sublinha que qualquer tentativa credível de mudança de regime exige uma articulação clara dos interesses nacionais, transparência com os aliados e coordenação com as forças internas da oposição.

Em vez disso, Trump supostamente contornou os processos de tomada de decisão estabelecidos no Conselho de Segurança Nacional, minando o debate informado e o planeamento estratégico. Bolton aponta a nomeação de um único indivíduo para supervisionar as questões de Estado e de Segurança Nacional como mais uma prova desta falta de pensamento estratégico.

A situação atual

Bolton acredita que, apesar dos recentes ataques militares, o Irão continua capaz de reconstruir o seu programa nuclear e a sua rede terrorista. Ele argumenta que sem um plano abrangente para a mudança de regime, as actuais acções apenas atrasarão, e não impedirão, ameaças futuras.

A situação é ainda mais complicada pela rápida substituição, por parte do regime, de figuras-chave de liderança por elementos da linha dura. Bolton sugere que se Trump não estiver disposto a comprometer-se com um esforço sustentado no sentido da mudança de regime, deverá prosseguir estratégias alternativas em vez de aumentar as tensões sem um objectivo claro.

Em conclusão: Até John Bolton, um defensor de longa data da intervenção militar no Irão, acredita que a abordagem actual da administração Trump é falha e contraproducente. As suas críticas sublinham a importância crítica do planeamento estratégico, do apoio interno e da coordenação internacional quando se considera a mudança de regime, um objectivo que parece estar a falhar sob a actual liderança.